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Chevra Kadisha

Perguntas frequentes

O que a tradição judaica orienta sobre o falecimento, o sepultamento e o luto — em respostas curtas. Se a sua dúvida é urgente, fale com o plantonista: atendemos 24 horas.

Fundamentos

Como a tradição judaica entende a morte, e quem observa o luto.

Como o judaísmo entende a morte?

Como um começo, não um fim. Este mundo é entendido como preparação para o Mundo Vindouro, e a morte não significa o fim da pessoa.

Por isso a tradição vê a morte com tristeza, mas não com desespero. As observâncias de luto têm dois objetivos concretos: honrar quem partiu e confortar quem ficou.

Por quais parentes se observa o luto?

Por sete parentes, tanto homens quanto mulheres:

  • Pai e mãe
  • Filho e filha
  • Irmão e irmã (por parte de pai ou de mãe)
  • Cônjuge

Não se observa luto por um bebê que faleça até o 30º dia de vida (se passou pela incubadora, a contagem começa na saída dela). Ainda assim, fetos e abortos têm santidade e devem ser sepultados.

No momento do falecimento

Os primeiros cuidados, em casa ou no hospital, e a preparação do corpo.

O que fazer quando a morte se aproxima?

Para o judaísmo a pessoa está viva até que coração e cérebro cessem completamente — mesmo agonizante ou em coma. Nada pode ser feito para apressar o fim; ao contrário, todo esforço médico deve continuar.

Acompanhar alguém nessas horas, para que não parta sozinho, é considerado um ato de grande caridade. É proibido tocar no moribundo (Gossês). Quem não consegue conter o choro deve aguardar fora do recinto, e um Cohen não deve permanecer nele.

Costuma-se rezar junto ao leito — como consolo, se a pessoa ainda ouve, ou como acompanhamento à alma, se já perdeu a consciência.

O que fazer imediatamente após o falecimento?

Ligue para a Chevra Kadisha antes de qualquer outra providência. Há situações em que a demora permite que o corpo seja levado ao IML contra a vontade da família.

Enquanto aguarda: abrir as janelas, cobrir o rosto com um pano branco e, após cerca de 20 minutos, retirar roupas e adornos, cobrir o corpo com um lençol branco, deitá-lo no chão com os pés voltados para a porta, fechar olhos e boca, apoiar levemente a cabeça e acender duas velas junto a ela.

O corpo não deve ficar sozinho em nenhum momento, e não se come, bebe ou fuma no recinto. Em hospitais, insista no respeito devido ao corpo e às crenças do falecido.

Costuma-se ainda esvaziar a água dos recipientes da casa e das vizinhas, e cobrir espelhos e superfícies polidas onde ficarão os enlutados.

Como o corpo é preparado?

Pela Chevra Kadisha, com equipes de homens e mulheres treinados para isso. A honra devida ao corpo sem vida (Kibud Hamet) é um princípio fundamental, e esses cuidados são um dever religioso — a última caridade que se pode prestar a alguém.

Depois da lavagem ritual (Tahará), o corpo é envolto em mortalhas brancas e simples (Tachrichim), que igualam ricos e pobres, com um pouco de terra de Érets Israel sob a cabeça. Os homens são envoltos também no talit que usaram em vida, com as franjas (Tsitsit) rasgadas.

É proibido embalsamar. Para translado a outra localidade, a Chevra Kadisha aplica as técnicas de conservação admitidas pela tradição e pela legislação brasileira.

Somente a equipe da Chevra Kadisha vê o falecido antes de o caixão ser fechado — nem os enlutados, nem outras pessoas.

Do falecimento ao sepultamento

Aninut, velório, chegada ao cemitério, Keriá, cerimônia e sepultamento.

O que é o período entre a morte e o sepultamento?

Chama-se Aninut, e quem perdeu um dos sete parentes é chamado Onen até o sepultamento.

O Onen não come carne, não bebe vinho, não se lava, não trabalha (loja, fábrica ou escritório ficam fechados), não corta cabelo ou barba, não cumprimenta, não se senta em cadeiras e não tem relações conjugais. Os sapatos de couro só saem após o sepultamento.

Fica isento das obrigações religiosas — como os Tefilin — mas não das proibições: sua obrigação maior agora é cuidar dos preparativos do sepultamento.

A Aninut não vigora no Shabat nem no Iom Tov, exceto quanto à intimidade. Em caso de translado ao exterior, consulte o rabino.

Como é o velório?

Sóbrio e sem condolências: até o sepultamento dá-se aos enlutados plena vazão à dor, e o consolo vem depois.

O caixão permanece fechado — expor o falecido é considerado desrespeito. Duas velas ficam acesas até a saída do féretro, leem-se Salmos e recordam-se as virtudes de quem partiu. O corpo não fica sozinho, e não se come, bebe ou fuma no recinto.

Flores não fazem parte do costume judaico. As que chegarem devem ser aceitas, mas ficam em sala próxima — não sobre o caixão nem no cemitério.

A maior honra que amigos e parentes podem prestar, além da presença, é doar a entidades de beneficência em nome do falecido. Acompanhar o cortejo (Levaiá) é um dever tão sagrado que, em alguns casos, permite interromper até o estudo da Torá.

O que acontece na chegada ao cemitério?

Quem não visita um cemitério judaico há 30 dias recita a bênção “Asher iatsar etchem badin” (o Onen está dispensado).

O cortejo segue para a Bêt Tahará (Casa de Purificação), se o corpo ainda não foi lavado e purificado, e ali se prestam as últimas homenagens. Nas tardes de sexta-feira e nas vésperas de Iom Tov, com o corpo já preparado, vai-se direto à cova.

Como no velório, o caixão fechado é posto sobre uma mesa, com os pés voltados para a porta, e velas são acesas.

Muitas grávidas e lactantes costumam não entrar no cemitério, seja para um sepultamento, seja em visita.

O que é a Keriá?

Rasgar a roupa que se está usando — o modo tradicional de expressar a perda, remontando a Jacob, que “rasgou suas roupas... e enlutou-se por seu filho muitos dias” (Gênesis 37:34). É obrigatória para os sete parentes e feita de pé.

O oficiante inicia um corte vertical na altura do coração e o enlutado o amplia com a mão até cerca de 8 cm, recitando a bênção “Daián haemet” (“Juiz da verdade”).

Por pai e mãe rasga-se do lado esquerdo, descobrindo o coração, e em todas as roupas que se está usando; pelos demais parentes, do lado direito e em uma única peça.

  • Rasga-se uma peça de roupa (blusa, camisa, paletó), nunca um adorno como lenço ou gravata
  • Não se faz Keriá no Shabat nem no Iom Tov; no Chol Hamoed, sim
  • Crianças pequenas têm a roupa rasgada apenas um pouco; doentes e grávidas estão dispensadas
  • Fita preta ou roupa preta não substituem a Keriá
  • Se esquecida: por pai e mãe pode ser feita a qualquer tempo, sem a bênção; pelos demais, só dentro dos sete dias

A Torá proíbe terminantemente qualquer forma de autoflagelo, seja cortar a pele, seja arrancar um fio de cabelo.

Como é a cerimônia fúnebre?

Em nome dos presentes, o oficiante pede perdão (Mechilá) ao falecido por qualquer ofensa cometida em vida, e entrega a um dos enlutados um pedaço do tecido da mortalha, que ficará na casa da Shivá. Recita-se então o Salmo 16.

Costuma-se discursar (Hesped), mencionando as qualidades e boas obras do falecido. Quem falar deve dizer somente verdades e cuidar de não ferir ninguém, direta ou indiretamente.

Depois, os presentes — de preferência familiares — carregam o caixão para fora, com os pés à frente, e o cortejo o segue. No caminho recita-se o Salmo 91, com sete paradas.

Não se discursa nas tardes de sexta-feira, na véspera de Iom Tov, em Rosh Chodesh e nos demais dias sem preces de súplica; nesses casos o Hesped fica para o Shloshim. Evite pisar nos túmulos.

Como é o sepultamento?

O quanto antes: enquanto o falecido não está sepultado, considera-se que sua alma não repousa. Só se adia para honrá-lo — a chegada de filhos de outros países, o Shabat ou o Iom Tov, ou o sepultamento na Terra de Israel.

Baixado o caixão, o oficiante lança terra três vezes dizendo “Ki afar ata veel afar tashuv” (“do pó vieste e ao pó retornarás”). Os presentes ajudam a cobri-lo, um a um — sem passar a pá de mão em mão, para não transmitir ao próximo uma coisa trágica.

Recita-se o Tsiduc Hadin e, com a sepultura coberta, o Cadish Dehu Atid, se houver dez judeus maiores de 13 anos. Segue-se o El Malê Rachamim. O oficiante encerra consolando os enlutados e informando onde será a Shivá.

Ao final, os presentes formam duas colunas e os enlutados passam entre elas e são consolados. Antes de sair, coloca-se uma pedrinha ou um punhado de terra sobre a sepultura. Não se sepulta no Shabat nem no Iom Tov, e não se visita outra sepultura quando se veio para um sepultamento.

O que se faz ao sair do cemitério?

Lava-se as mãos ritualmente (Netilat Iadáim): com um copo ou caneca, despeja-se água primeiro sobre a mão direita e depois sobre a esquerda, até esvaziar. Não há bênção, e costuma-se deixar as mãos secarem naturalmente (em dias frios, pode-se enxugá-las).

Pelo mesmo motivo da pá, não se passa a caneca de mão em mão.

Costuma-se não ir direto para casa ao voltar de um sepultamento, passando antes por outro lugar ou ao menos alterando o caminho.

Os três períodos de luto

Shivá, Shloshim e Avelut — o que muda em cada um.

Quais são os três períodos de luto?

As leis de luto passam a vigorar sobre os sete parentes logo após o sepultamento, em três períodos sucessivos que vão diminuindo de intensidade:

  • Shivá — os sete primeiros dias
  • Shloshim — até o 30º dia
  • Avelut — doze meses, apenas por pai ou mãe
O que é a Shivá?

Os sete primeiros dias de luto, contados a partir do sepultamento. Servem para ajudar os enlutados a atravessar o choque inicial.

O ideal é a família reunida na casa do falecido, mas isso não é obrigatório — pode-se guardar o luto em qualquer lugar, até separadamente. No próprio sepultamento o enlutado (Avel) troca os sapatos de couro por outros de pano, plástico ou borracha.

Na casa da Shivá costuma-se manter:

  • Assento baixo — bancos de até 30 cm ou almofadas no chão (daí “sentar shivá”)
  • Vela acesa sobre a mesa pelos sete dias, junto a uma janela entreaberta
  • Um copo com água e o pedaço de tecido da mortalha ao lado da chama
  • Um prato ou cofre para donativos dos visitantes
  • As três rezas diárias (Arvit, Shacharit e Minchá), organizadas no local
  • Espelhos e superfícies polidas cobertos

A primeira refeição após o sepultamento (Seudat Havraá, “refeição do consolo”) não deve ser da própria comida dos enlutados: vizinhos, amigos ou parentes a preparam. É pão e ovo cozido — o ovo, em sua redondez, simboliza a continuidade da vida.

O que é proibido durante a Shivá?

As principais restrições dos sete dias:

  • Sapatos — nada de couro; pano, plástico ou borracha são permitidos
  • Cabelos e unhas — não se corta; homens também não se barbeiam
  • Trabalho — proibido, autônomo ou empregado
  • Banho — não por prazer; por higiene, apenas com água fria
  • Cremes e cosméticos — proibidos, exceto por motivo de saúde
  • Roupas — não se lava nem passa, não se usa roupa nova, não se troca lençóis
  • Cumprimentar — não se diz “Shalom”; “Bom dia” e um aperto de mãos, sim
  • Presentes — não se envia nem se recebe
  • Alegria — festas, música e televisão são proibidos
  • Torá — o estudo alegra o coração, então se limita aos livros de luto, Jó, Lamentações e partes de Jeremias
  • Tefilin — não no primeiro dia de luto; o talit é usado normalmente

O enlutado deve realizar o Berit Milá, o Pidion Haben ou o Bar Mitsvá de seu filho, mesmo fora de casa. Casar não é permitido, ainda que a data já estivesse marcada. Limpar a casa, lavar a louça e cozinhar são permitidos. Consulte um rabino: há atenuantes para vários casos, sobretudo quanto ao trabalho.

Como fica o Shabat durante a Shivá?

Os sinais públicos de luto são suspensos cerca de uma hora e quinze antes do pôr do sol de sexta-feira — mas o Shabat conta normalmente como um dos sete dias.

Os enlutados calçam sapatos de couro, trocam a roupa rasgada por roupas de Shabat, vão à sinagoga, sentam-se em cadeiras normais e cumprimentam com “Shabat Shalom”. As mulheres acendem as velas de Shabat.

As proibições de caráter íntimo permanecem, e todas as demais voltam a vigorar ao término do Shabat, após a reza de Arvit.

Como confortar os enlutados?

Cuidar do bem-estar emocional e espiritual de quem ficou é um dever fundamental. Ao entrar numa casa enlutada não se cumprimenta, e não se abre a conversa — espera-se que o enlutado o faça.

Fale do falecido e recorde suas boas qualidades. Quem evita mencioná-lo, achando que assim poupa o enlutado, não entende como funciona o luto: conversar sobre trivialidades consola menos e magoa mais.

Ao sair, diz-se a fórmula tradicional: “Hamacom ienachem otchá / otach / otchem betoch shear avelê Tsion virushaláyim” — “Que Deus te console junto com todos os que sofrem por Tsión e Jerusalém”.

Não é necessário dizer mais do que isso. Palavras de conforto e esperança são bem-vindas, se você encontrar as adequadas.

Quando e como termina a Shivá?

Na manhã do sétimo dia, logo após a reza matinal. O dia que conta como primeiro é o do sepultamento, não o do falecimento — mesmo que o sepultamento tenha ocorrido momentos antes do pôr do sol. Se o sepultamento foi na segunda-feira, a Shivá termina no domingo pela manhã.

Ao fim das rezas, os presentes passam diante dos enlutados, dizem a fórmula de condolência e alguém os levanta do chão, encerrando o período. Sem rezas em casa, os enlutados se levantam no horário em que as rezas matinais normalmente terminam nas sinagogas.

Quem não observou nenhuma das práticas nos sete dias deve compensá-las por sete dias dentro dos primeiros trinta. Quem observou ao menos alguma, mesmo só no 7º dia, cumpriu a obrigação. Quem esteve acamado não precisa compensar.

O que é o Shloshim?

O segundo período — “trinta”. Começa ao fim da Shivá, no 7º dia, e se estende até o nascer do sol do 30º dia após o sepultamento. Os enlutados retomam as atividades normais, com algumas restrições:

  • Cabelos, unhas e barba — ainda não se cortam
  • Roupas novas — não se compra nem se usa (roupa de baixo é exceção)
  • Alegria — festas, música, televisão, teatro e cinema seguem proibidos
  • Viagens — a passeio é desaconselhável; a negócios é permitido
  • Presentes — não se envia nem se recebe

Costuma-se visitar o túmulo no 30º dia, quando se enterra na sepultura o pedaço de tecido da mortalha. Nessa cerimônia é permitido o Hesped, sobretudo se não foi possível no sepultamento. Aqui se encerra o luto por cinco dos sete parentes — só por pai e mãe segue o terceiro período.

O que é a Avelut?

O terceiro período, observado exclusivamente por pai ou mãe. Vai do 30º dia até o primeiro aniversário do falecimento (não do sepultamento), pelo calendário hebraico.

Restam poucas proibições: roupas novas, festas e entretenimento. Casar é permitido, mesmo sem data marcada. Cabelos podem ser cortados a partir do 31º dia, desde que amigos advirtam o enlutado (Gueará) sobre a conveniência — sem isso, só após três meses.

Costuma-se chamar o enlutado à Torá como Maftir durante os doze meses, doar livros à sinagoga com o nome do falecido, e visitar o túmulo ao completar o período.

Terminados os doze meses, é proibido prolongar as práticas de luto: o pesar excessivo é tido como falta de confiança em Deus. A marca permanece, mas a vida retoma o seu curso.

Cadish

O que é, quem recita, por quanto tempo e de que forma.

O que é o Cadish?

Uma das mais antigas orações da liturgia judaica, dos tempos do Segundo Templo. Era recitada ao fim de uma sessão de estudo da Torá e só na Idade Média passou a ser associada aos enlutados — embora não mencione os mortos nem o luto.

É uma declaração de fé na grandeza de Deus e um apelo pela redenção. O mérito está justamente aí: quando surge a tendência de culpar ou rejeitar Deus, alguém se levanta e afirma publicamente essa fé. Nesse sentido o Cadish beneficia a alma de quem partiu — por ter criado alguém capaz de tal demonstração.

Quem deve recitar o Cadish?

A obrigação prioritária é dos filhos homens, pela morte dos pais, mesmo que ainda não tenham completado 13 anos. Não havendo filhos, a ordem é:

  • Os netos órfãos do falecido
  • O pai do falecido, mesmo que os pais dele ainda vivam
  • Os irmãos do falecido
  • O marido ou um genro, desde que seus próprios pais já sejam falecidos

Só na ausência de todos esses se contrata alguém para recitar — e o mérito atribuído ao falecido pelo dever cumprido pelos seus se perde nesse caso. Uma filha não tem essa obrigação e não recita, mas pode levantar-se, ouvir com atenção e responder Amen e Iehê Shemê Rabá.

Por quanto tempo se recita o Cadish?

Por onze meses, contados do dia do sepultamento, diariamente — inclusive no Shabat e nas festas — nos três ofícios (Arvit, Shacharit e Minchá).

Por exemplo: quem foi sepultado no dia 7 de Shevat tem o Cadish recitado até a Minchá do dia 6 de Tevet. Em ano hebraico de 13 meses, até a Minchá do dia 6 de Kislev.

Como o Cadish é recitado?

É uma oração comunitária: só pode ser dita na presença de um Minián — dez judeus maiores de 13 anos. Sozinho, ou com menos de dez, não se recita.

De pé, com os pés juntos, em voz que permita aos presentes responder Amen e Iehê Shemê Rabá. Nos primeiros dias sobretudo, leia devagar e com atenção, para não fixar erros de leitura.

Antes da última frase (Ossê Shalom) dão-se três passos para trás, levemente inclinado, com uma reverência à esquerda, à direita e ao centro; depois volta-se os três passos.

Há duas variantes: o Cadish Iatom, mais curto, e o Cadish Derabanan. Quando vários enlutados recitam juntos na sinagoga, o importante é que seja realmente junto, palavra por palavra, para que todos possam responder ao mesmo tempo. O texto completo está em Luto e memória.

Memória permanente

Matsevá, Iortseit, visitas ao cemitério e as preces rememorativas.

Quando colocar a Matsevá?

O costume mais difundido é após doze meses — durante o primeiro ano o falecido é lembrado diariamente pelos enlutados, e a lápide não seria necessária. Mas não há regra definitiva: é religiosamente correto colocá-la o quanto antes depois dos sete dias iniciais, e em Israel o costume é logo após o Shloshim.

A obrigação recai sobre os familiares. Os sábios aconselham simplicidade, sem ostentação, com letras gravadas em baixo-relevo. Deve constar:

  • O nome do falecido e o nome do pai (os sefaradim usam o da mãe)
  • Se era Cohen ou Levi
  • A data do falecimento pelo calendário judaico — não a data civil
  • O acróstico “Possa sua alma estar ligada à corrente da vida eterna”

O descerramento da lápide, embora hoje difundido, é uma inovação contemporânea sem base na lei judaica. Nenhuma família precisa sentir-se obrigada a organizar uma cerimônia formal: basta colocá-la adequadamente e visitar o túmulo em caráter particular.

O que é o Iortseit?

O aniversário do falecimento pelo calendário hebraico, rememorado anualmente pelos filhos. Para a alma, representa a possibilidade de ascensão espiritual.

Nesse dia os filhos recitam o Cadish no ofício da véspera e nos da manhã e da tarde, procuram conduzir os serviços e ser chamados à Torá para uma aliyá. Acende-se na véspera uma vela que fique acesa por 24 horas, e que deve apagar-se sozinha.

É um dia especialmente indicado para boas ações e caridade em intenção da alma, e costuma-se visitar o túmulo.

No primeiro ano o Iortseit coincide com o fim dos doze meses; nos anos seguintes é a data do falecimento. Se a data é desconhecida, escolhe-se uma e fixa-se anualmente. Consulte a Chevra Kadisha para conferir a data — a conversão envolve os meses de Adar e os anos de 13 meses.

Quando visitar o cemitério?

Além do 7º e do 30º dias e do fim dos doze meses, costuma-se visitar no Iortseit e nas vésperas de Rosh Hashaná e de Iom Kipur. No primeiro ano após o falecimento, não se deve visitar com muita frequência.

Entre no cemitério com a cabeça coberta e trajado com decoro, mesmo nos dias quentes. Ao visitar, costuma-se colocar a mão esquerda sobre a lápide e recitar a prece própria; ao sair, lavar as mãos ritualmente.

É louvável recitar Salmos e destinar caridade em nome do falecido. Antes de afastar-se, coloca-se uma pedrinha sobre o túmulo — flores, não.

Não se visita o mesmo túmulo duas vezes no mesmo dia. Costuma-se evitar o cemitério nos dias em que as preces de súplica não são recitadas. O Cadish só pode ser dito havendo dez pessoas junto ao túmulo.

Quais são as preces rememorativas?

Duas: El Malê Rachamim e Yizcor. Reverenciar a memória dos mortos com preces e boas ações dá méritos à alma, e a prece é bem recebida quando acompanhada de caridade.

O próprio texto já prevê o donativo (“comprometo-me a doar caridade em seu favor”). Segundo a Cabalá, ao rememorar-se um falecido sua alma desce e não retorna até que o donativo seja pago — por isso deve-se saldá-lo logo no dia seguinte, sem demora.

Nelas se intercala o nome hebraico do falecido e a filiação paterna (os sefaradim usam a materna), e devem ser recitadas em hebraico.

O ideal é recitá-las na presença de dez pessoas, mas é permitido individualmente. Um marido pode rezá-las por sua esposa falecida mesmo após casar-se de novo, e pode-se rezá-las também por um suicida.

Quando se recita o El Malê Rachamim?

Após o sepultamento, no 7º e no 30º dias, ao término dos doze meses, no dia do Iortseit e depois do Yizcor.

Não é recitada nos dias em que as preces de súplica (Tachanun) são omitidas.

O texto completo, nas versões masculina e feminina, está em Luto e memória.

Quando se recita o Yizcor?

Em quatro ocasiões do ano: no oitavo dia de Pessach, no 2º dia de Shavuot, em Iom Kipur e em Shemini Atseret — mesmo que caiam no Shabat.

Acende-se uma vela de 24 horas para cada alma rememorada, preferivelmente na véspera, e ela deve apagar-se por si só. Em Iom Kipur é obrigatoriamente na véspera, antes das velas da data e do Col Nidrê.

Quem tem pais vivos costuma retirar-se da sinagoga na hora do Yizcor. Já o costume de os enlutados dentro dos doze meses também se retirarem é questionado por muitas autoridades — alguns sustentam o contrário, que rememorar nesse período beneficia a alma. Consulte o seu rabino.

Casos especiais

Cohen, notícia recebida com atraso e festas que interrompem o luto.

Quais são as restrições para um Cohen?

Um Cohen, descendente da tribo sacerdotal, não pode entrar em contato com um morto. A proibição vai além do contato físico: alcança a presença em qualquer recinto onde haja um falecido, e os recintos ligados a ele por aberturas ou passagens.

Removido o corpo do prédio, o Cohen pode entrar. Sabendo que há um falecido em outro apartamento, deve fechar portas e janelas e sair só após a remoção.

A céu aberto, não pode aproximar-se de um túmulo a menos de dois metros — por isso os Cohanim são sepultados nas primeiras fileiras e nas esquinas. Também não entra em velório nem na Bêt Tahará.

O Cohen observa as leis de luto pelos mesmos sete parentes. Já a obrigação de impurificar-se vale só para pai e mãe, filho e filha, irmão e irmã solteira por parte de pai, e esposa. As restrições de impureza alcançam apenas os homens, não a esposa nem as filhas de um Cohen.

E se a notícia do falecimento chegar com atraso?

Dentro de 30 dias do falecimento, a Shivá começa no momento em que se recebe a notícia. Se o resto da família ainda estiver na Shivá, pode-se juntar a ela — mesmo tendo de viajar — e levantar no mesmo dia que os outros.

Nesse caso faz-se a Keriá, não se colocam os Tefilin naquele dia, faz-se a Seudat Havraá e cumprem-se as restrições. O Shloshim termina no 30º dia após a notícia, mas os doze meses contam do dia do falecimento.

Depois de 30 dias, não se observa a Shivá: basta tirar os sapatos, sentar alguns minutos num assento baixo e recitar a bênção “Juiz da verdade”. Por pai ou mãe, faz-se ainda a Keriá, não se corta cabelo, unhas e barba por 30 dias, observam-se os doze meses e recita-se o Cadish até onze meses do falecimento.

Passados os doze meses, faz-se a Keriá e senta-se alguns minutos apenas por pai ou mãe. Quem não sabe do falecimento não precisa ser avisado — mas não se deve mentir; faz-se entender indiretamente. Procure sempre um meio de avisar os filhos homens, para que possam recitar o Cadish.

As festas judaicas interrompem o luto?

Sim. Pessach, Shavuot, Sucot, Shemini Atseret, Rosh Hashaná e Iom Kipur interrompem e encerram um dos períodos — segundo a Cabalá, porque anulam o “veredito celestial” sobre a alma.

Quem estava, por exemplo, no 3º dia da Shivá quando entra um Iom Tov tem a Shivá encerrada, ainda faltando quatro dias, e depois da festa já está no Shloshim. Basta ter cumprido alguns minutos de uma das observâncias antes da entrada da festa.

Se não cumpriu nenhuma observância antes do Iom Tov — por falta de tempo, ou por só ter sabido do falecimento durante ou depois da festa — o luto será observado normalmente depois dela. Durante a festa valem as proibições de caráter íntimo.

No luto por pai ou mãe é sempre necessário contar efetivamente 30 dias para encerrar o Shloshim. A contagem exata de cada festa é detalhada e varia caso a caso: consulte o seu rabino ou a Chevra Kadisha. A vela dos sete dias deve arder por sete dias efetivos, mesmo que a Shivá tenha sido interrompida.

Este conteúdo é material de referência, adaptado do nosso Breve resumo das leis de luto judaicas. Os costumes variam entre comunidades e há casos em que as opiniões rabínicas divergem — para a sua situação específica, consulte o seu rabino ou fale com a Chevra Kadisha.